Epigenética Comportamental e a Árvore Genealógica

30-01-2019

Sabe o que é Epigenética?  

Durante muito tempo pensava-se que a herança estava determinada exclusivamente pelos nossos genes e que estes não poderiam mudar, mantendo-se inalteráveis. Chegou-se ao ponto de pensar que os nossos genes determinavam a nossa conduta e que se nascêssemos com um gene de depressão, estaríamos condenados a sofrê-la.

A epigenética chega para demonstrar que, realmente, acontecem modificações nos genes e que uma das fontes dessas modificações provém do meio ambiente. É importante salientar que o ambiente não se refere simplesmente às condições físicas, como clima, alimentação ou contaminação, mas, também se refere ao stresse que acumulamos e aos estados emocionais que estão por trás dos desafios do nosso dia a dia.

Aqui podemos incluir a maneira como percebemos a vida e tudo que é fruto das nossas crenças e educação. Cada dia fica mais evidente que as emoções produzem no nosso organismo certas reações fisiológicas que acabam por ter consequências patológicas.

Epigenética Comportamental

De acordo com o novo entendimento da epigenética comportamental, as experiências traumáticas dos nossos antepassados deixam "cicatrizes" moleculares codificadas no nosso ADN.

Desde a década de 70, os geneticistas sabem que o núcleo das células utiliza um componente estrutural das moléculas orgânicas, chamado radical metil, para saber o que cada informação genética fará. Basicamente, o radical metil funciona como um interruptor que ativa ou desativa uma determinada informação que faz parte do ADN.

Estes grupos metil operam nas proteínas que são as responsáveis por "torcer" a molécula do código genético, porém, não fazem parte dele. Não são fenómenos genéticos, ocorrem propriamente ao redor do ADN como se fossem um resíduo molecular agarrado ao nosso andaime genético. 
Embora o ADN continue a ser o mesmo, determinados genes são ativados e outros desativados. Evidenciou-se que isto determina as tendências psicológicas e comportamentais que se vão transmitindo de geração em geração, tanto as boas experiências, como as más. É a sabedoria da mãe natureza que visa não perder nenhuma informação que sirva mais adiante, como uma forma de proteção. 
Isto significa que não herdamos apenas as ancas largas da nossa avó, mas também a sua predisposição à depressão por causa do abandono de seus pais que sofreu quando nasceu, ou quando o seu marido a deixou.
Por outro lado, se ela foi uma filha muito desejada e amada, pode ser que esteja a desfrutar desse recurso na sua vida. Os mecanismos da epigenética comportamental aplicam-se tanto para os déficits e debilidades assim como os pontos fortes e recursos positivos.


Que tem isso que ver com o estudo da Árvore Genealógica?
Agora que sabemos como herdamos dramas, traumas e experiências dos nossos antepassados, o estudo Transgeracional ou Árvore Genealógica passa a ser uma ferramenta valiosa para descobrir ou identificar quais os programas tóxicos herdados e como se manifestam na nossa vida como sintomas físicos ou disfunções comportamentais.
Ao estudar a árvore genealógica, descobrimos para que herdamos determinados padrões e isto permite-nos compreender o sentido do que nos acontece. Essa compreensão conduz a um estado mental onde conseguimos estabelecer novas conexões neuronais, dando novos significados às experiências, fazendo uma espécie de "reset", e libertando-nos daquilo que parecia ser o nosso único destino.

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